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29 de maio de 2020
21/05/2020
‘Criar ilusão de que medicação possa substituir isolamento social é apostar no crescimento da pandemia’, diz secretário do RN
Petrônio Spinelli, secretário adjunto de Saúde do RN — Foto: Elisa Elsie
Petrônio Spinelli, secretário adjunto de Saúde do RN — Foto: Elisa Elsie

“Criar ilusão na sociedade de que qualquer medicação é cura, que possa substituir o isolamento social, é apostar no crescimento da pandemia e no colapso do sistema. A discussão é técnica, é atitude médica, e deve se restringir a isso”, afirmou no final da manhã desta quarta-feira (20), o secretário adjunto de Saúde do Rio Grande do Norte, Petrônio Spinelli, ao defender a manutenção do isolamento social e afirmar que a decisão sobre o uso da hidroxicloroquina cabe aos especialistas.

A declaração foi dada por ele durante a entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (20), feita pela Secretaria Estadual de Saúde para atualizar a situação da pandemia da Covid-19, após ser questionado sobre o uso de hidroxicloroquina no atendimento inicial dos paciente de coronavírus no estado. O uso em pacientes com casos leves da doença foi autorizado pelo Ministério da Saúde.

Para o secretário, caberá às equipes técnicas das secretarias municipais, que são responsáveis pelo atendimento primário dos pacientes, decidir sobre o protocolo na atenção básica, já que o estado atua nos atendimentos de maior complexidade – onde o uso da cloroquina já era autorizado.

Porém, Spinelli considerou que a decisão deve se pautar pela ciência e considera que nenhum medicamento usado em qualquer lugar no mundo, até agora, tenha apresentado eficiência comprovada contra a Covid-19. De acordo com ele, porém, os atuais protocolos usados no tratamento têm sido exitosos, o que foi responsável pela cura de mais de 990 pessoas que passaram por internação no estado.

“Existe uma discussão que é fundamental. Mais importante de que se vai usar medicação A, B ou C, é não criar uma ilusão na sociedade de que ali está a solução. Quando o coquetel foi criado, criou uma ilusão na sociedade de que agora tinha a cura da Aids. Isso foi terrível, porque aumentou o número de casos, porque as pessoas deixaram de usar camisinha”

O presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Mas não há comprovação científica de que esse remédio seja capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no medicamento, e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda a utilização. O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. No intervalo de menos de um mês, os dois deixaram o governo.

Leitos lotados

Ainda de acordo com Spinelli, o estado já enfrenta superlotação dos leitos críticos e a pasta busca alternativas para abrir novos leitos em “curtíssimo prazo”. Uma das ações anunciadas foi o empréstimo de equipamentos ao município de Natal, para ampliar o atendimento no Hospital Municipal e no Hospital de Campanha montado na Via Costeira.

Ao hospital municipal, serão emprestados monitores, que apontam às equipes médicas a situação dos pacientes, como batimento cardíaco, entre outros fatores. De acordo com o estado, seis respiradores serão emprestados para abrir leitos de UTI no hospital de campanha da capital, enquanto os equipamentos comprados pelo município não chegam.

O estado também anunciou a abertura de 10 leitos contratados ao hospital da Liga Contra o Câncer até a próxima sexta-feira (22).

Nesta quarta (20), o estado tem 393 pessoas, confirmadas ou suspeitas para coronavírus, internadas nos sistemas público e privado de Saúde. *G1 RN

Delirius

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