JP Borrachas e Parafusos
20 de setembro de 2019
10/09/2019
Vaza Jato não apaga ladroagem de Lula na Lava Jato

A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo deu à luz uma nova denúncia contra Lula, agora encrencado na companhia do irmão Frei Chico. A defesa do presidiário de Curitiba contesta as acusações. Atribui a investida a uma hipotética reação de procuradores ao conta-gotas que umedece o noticiário com mensagens extraídas do Telegram. Improvável. Se a novidade serve para alguma coisa é justamente para demonstrar que o caso da Vaza Jato não apaga os rastros pegajosos detectados pela Lava Jato.

Frei Chico recebeu mesada da Odebrecht entre 2003 e 2025 —começou beliscando R$ 3 mil. No final, mordia R$ 5 mil. No total, levou R$ 1,1 milhão. Foi justamente em 2015 que as ruas descanonizaram Lula. Naquele ano, o Pixuleco, boneco do mito do petismo vestido de presidiário, passou a ornamentar os protestos contra a corrupção. Os delatores da Odebrecht ofereceram o material para a decomposição. Coube ao dono da empreiteira, Emílio Odebrecht, pronunciar algo muito parecido com um epitáfio: “Bom vivant”

Um dos principais provedores dos confortos de Lula, Emílio evocou no seu depoimento à força-tarefa da Lava Jato uma frase que diz ter ouvido do general Golbery do Couto e Silva, criador do SNI e chefe do gabinete militar nos governos Ernesto Geisel e João Figueiredo: “Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant.”.

Ironicamente, Lula foi atraído para a militância trabalhista, nos tempos sombrios de 1968, pelo irmão mais velho: José Ferreira de Melo, o Frei Chico. Nessa época, o agora presidiário tinha apenas 25 anos. Rapidamente, virou diretor de sindicato. Frei Chico era militante do Partido Comunista. Imaginou-se que Lula se enrolaria na mesma bandeira. Engano.

Em depoimento registrado no livro “Lula, o Filho do Brasil”, da jornalista Denise Paraná, Lula afirmaria muitos anos depois: “A minha ligação com o Frei Chico é uma ligação biológica. Ou seja, um negócio evidentemente de irmão para irmão. Não tinha nenhuma afinidade política com Frei Chico.”

Deu-se algo diferente na relação de Lula com Emílio Odebrecht. A dupla se deu muito bem. Desenvolveu-se entre eles um relacionamento extra-biológico, de natureza fisiológico-patrimonial, do tipo uma mão suja outra. Além de forrar a conta bancária de Lula com os milhões das pseudo-palestras e de providenciar confortos como a reforma do sítio de Atibaia, a Odebrecht bancava até pixulecos como a mesada do ex-comunista Frei Chico.

Nas planilhas da Odebrecht, o apelido de Frei Chico era “metralha”. O dinheiro do agrado mensal saía da caixa do departamento de propinas. Na época em que o nome do irmão escalou as manchetes, Lula dissera: “Se a Odebrecht resolveu dar R$ 5 mil de mesada para Frei Chico, o problema é da Odebrecht”.

Ao reiterar a velha desculpa, os defensores de Lula pedem aos brasileiros que façam como os petistas mais fervorosos, se fingindo de bobos para não prejudicar a reputação de um “perseguido político”. O único problema é que, nos 13 anos que o PT passou no poder, Lula fez consigo mesmo o que seus inimigos tentavam há quatro décadas, sem sucesso: desmoralizou-se.

O mito petista ofereceu em holocausto, em altares como o da Odebrecht, o maior patrimônio que um político pode almejar: a presunção de superioridade moral. Foi para o beleléu a aura de diferença heróica que o distinguia antes do mensalão.

Nesse contexto, a frase de Golbery, recitada aos investigadores pelo patriarca da Odebrecht, teve o peso de um epitáfio: “Aqui jaz um bon vivant”. A Vaza Jato pode destruir muita coisa, mas não faz sumir evidências reunidas pela Lava Jato.

JOSIAS DE SOUZA

Delirius

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