JP Borrachas e Parafusos
17 de julho de 2019
12/04/2019
Guia digital ‘Páscoa sem medo’ traz opções de doces em Natal para quem tem restrição alimentar
Ovo de páscoa para intolerantes alimentares — Foto: Sarah Wollerman

Ajudar pessoas com restrições alimentares a conseguirem comemorar a Páscoa de uma forma doce e saudável. Esse é o objetivo do guia digital “Páscoa sem medo”, lançado nesta semana na capital potiguar, que traz dicas de doces para pessoas com intolerância a glúten e lactose, ou ainda celíacas e veganas, por exemplo.

O guia traz opções de dar água na boca como brownie de pote – sem glúten e sem lactose; ovo de colher com recheio de beijinho – sem glúten e vegano; e o ovo de brownie low carb – sem açúcar, sem glúten e sem leite.

O projeto é idealizado pela jornalista Maiara Cruz – que tem restrições alimentares e sente na pele a dificuldade para encontrar produtos que possa comer sem medo de ter uma reação negativa. Maiara, inclusive, mantém um perfil no Instagram chamado “Comer sem medo”, que dá dicas e trata de temas relacionados a quem tem restrições alimentares. Foi neste perfil que ela publicou o guia digital com conteúdo específico para a páscoa como forma de mostrar que há boas opções para curtir o período também para quem tem intolerância.

“Tem essa questão sempre em cima do chocolate quando chega à páscoa. Então eu resolvi fazer um compilado de alguns produtos para ajudar. É uma forma também de valorizar as empresas que têm se dedicado exclusivamente a produzir alimentos para quem tem restrições”, falou a Maiara.

O guia e página são projetos pessoais da jornalista, em parceria com a fotógrafa Sarah Wollermann, e não tem fins lucrativos. “Não quero lucrar com isso. Minha intenção é que as pessoas vejam que essas empresas e esses produtos existem. Tento ajudar da forma que consigo, com jornalismo e marketing digital”, explicou. Ao todo, seis empresas participaram da ação da jornalista e da fotógrafa.

“Além disso, é importante desmistificar uma história que muitos pensam, de que essas comidas são ruins. Esses alimentos, muitas vezes, são muito melhores do que os tradicionais em função da preocupação com a preparação e a qualidade dos ingredientes usados”, concluiu.

Aceitação

A ideia de falar sobre alimentação para intolerantes a lactose, glúten, celíacos surgiu por experiência própria. Maiara começou a perceber indícios de que tinha suas próprias restrições há cerca de sete anos. “Meu processo de aceitação durou cerca de cinco anos”, contou. Assim, a criação da “Comer sem medo” se deu para ajudar pessoas que passavam pela mesma transição que ela. “Às vezes eu evitava de sair para comer em algum lugar por ter restrições. Então, a criação da página é para que outras pessoas não precisem passar pelo que eu passei”, disse.

O nome do perfil, inclusive, reforça a ideia de incentivo. “Esse é exatamente o nosso sentimento. Porque a gente tem medo de comer. E as pessoas se identificam com isso. Hoje, por exemplo, eu já não tenho receio de ir a um casamento e levar o que comer. E isso tem incentivado a outras pessoas a fazerem o mesmo”, falou.

A nutricionista Mariana Melo explicou ao G1 que o indicado neste momento de transição é de que haja um trabalho integrado a o de um psicólogo. “A melhor estratégia é a busca por um outro profissional, um psicólogo. Isso porque a pessoa começa a passar por um processo de receber vários ‘não pode’ e há um trabalho para perceber que existem outras opções”, falou.

Mais que uma questão digestiva

A partir do diagnóstico de intolerância alimentar, é importante de fato evitar o consumo dos alimentos que possam fazer mal. Isso porque a questão é bem além de um problema digestivo. “Há um descontrole do sistema imunológico. O consumo de um alimento desse tipo para um intolerante ocasiona a inflamação do organismo, o que atrapalha o sono e possibilita doenças dermatológicas, por exemplo”, explicou a nutricionista Mariana Melo.

É por isso, inclusive, que alimentos para intolerantes precisam ser cultivados e transportados sem ter contato com alimentos que possam “contaminá-los”.

A nutricionista aponta que o crescimento no número de pessoas com intolerância tem a ver com o estilo de vida atual. “O sistema imunológico sofre com nosso estilo de vida, com o estresse, a alta exposição ao agrotóxico, o excesso de medicamentos, a falta de atividade física. Assim, os alimentos não tem a digestão como antes”, avaliou. *G1 RN

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